A Indústria 4.0 e as habilidades do novo profissional

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A Indústria 4.0 e as habilidades do novo profissional

Laize Minelli

 

O mercado muda e as consequências se estendem desde as situações mais básicas do dia a dia até as mais complexas. O processo da indústria 4.0 e sua implementação nas diversas áreas de produção trouxe mudanças significativas na forma de conduzir e gerir organizações públicas e privadas, demandando um novo perfil de profissional.

 

Para entender um pouco de como essa dinâmica tem alterado o processo de conhecimento em sala de aula e transformado os polos industriais, conversamos com o Doutor em Administração e especialista em Gestão da Produção,  Armando Araújo Júnior.

 

Com mais de 20 anos atuando no mercado amazonense, sua experiência profissional inclui cargos de gerente administrativo e financeiro, coordenador de materiais em empresas de grande porte do Polo Industrial de Manaus (PIM). Foi diretor de Recursos Humanos e Pró-Reitor de Administração e Finanças da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Atualmente é Coordenador do Curso de Bacharelado em Administração Pública - Modalidade EaD e professor adjunto do departamento de administração da Faculdade de Estudos Sociais, da Ufam,  professor convidado dos cursos de pós-graduação do Ciesa e destaca que é preciso “desconstruir os métodos tradicionais de ensino e promover novas metodologias  e formas de ensinar”.

 

Acompanhe a entrevista:

 

CIESA: Levando em consideração seu tempo como gestor de empresas públicas e privadas, poderia dizer como está a atuação dos profissionais amazonenses nesse processo da Indústria 4.0?

 

Armando A. Júnior:  Se por um lado, a Indústria 4.0 proporciona ganhos de produtividade, por outro, demanda um novo perfil para quem está conduzindo estas mudanças no contexto organizacional.

 

   

 

Há 30 anos, era comum as empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM) buscarem em outros centros, principalmente no Sudeste do país, profissionais para cargos de gerência e de direção. Com o passar dos anos, foi realizado um esforço muito grande para formar profissionais qualificados para atuarem no PIM, inclusive em cargos de gestão. Considero hoje, que contamos recursos humanos  qualificados na área de gestão.

 

   No entanto, as vantagens e oportunidades que as novas tecnologias associadas ao conceito de indústria 4.0 proporciona, é importante que os gestores compreendam como essas tecnologias podem alavancar os resultados empresariais.

 

   Algumas empresas do PIM já estão introduzindo essas tecnologias.  No entanto, ainda estamos em um estágio embrionário.

 

   Cabe à alta administração compreender as demandas do mercado e as implicações dessas tecnologias na competitividade e na geração de valor para a empresa. Para tanto, faz-se necessário implementar estratégias e objetivos certos para realizar as adequações necessárias para a implantação do conceito 4.0, além do planejamento para implantação dos processos de interação entre os fornecedores, reorganizando assim, a cadeia de valores até os consumidores finais.

 

   Diante deste contexto, quem está à frente desse processo precisa se qualificar. Importante mencionar que algumas Instituições de Ensino Superior do Estado do Amazonas já estão capacitando recursos humanos em indústria 4.0 em nível de especialização (lato e strictu sensu).

 

De modo geral, observo que a procura por qualificação vem aumentando substancialmente nos últimos meses. É um sinalizador que as pessoas estão procurando se qualificar para se prepararem para todas essas transformações.

 

As mudanças serão intensas e tão profundas que nunca na história da humanidade vivenciamos um momento tão potencialmente promissor ou perigoso (isso vai depender de como estaremos nos preparando para embarcar na quarta revolução industrial).

 

 

CIESA: Quais as principais habilidades e áreas de estudo que você indicaria para quem quer avançar mais rápido nesse mercado da inovação?

 

Armando A. Júnior: O profissional da quarta revolução industrial deverá ser capaz de resolver problemas complexos, pensar de forma crítica e reflexiva, ter criatividade, capacidade de gerenciar e coordenar equipe multiprofissional e de trabalhar com outros, de forma matricial, ter inteligência emocional, ser capaz de julgar e tomar decisões em ambientes instáveis, sob pressão e com assertividade, além de possuir orientação para serviços, saber negociar e possuir flexibilidade cognitiva.

 

O conceito de indústria 4.0 envolve diversas áreas do conhecimento (engenharias, computação, física, biologia, logística, material, dentre outras). Por ser interdisciplinar, cada profissional deve buscar qualificação de acordo com sua área de atuação e correlata a indústria 4.0.

 

De modo geral, os cursos de especialização em indústria 4.0, Internet das Coisas (IoT), engenharia de produção com ênfase em indústria 4.0 que já estão sendo ofertados em Manaus são boas alternativas para que busca por qualificação em indústria 4.0.

 

 

CIESA: Você como professor pode descrever de que forma isso impactou nas   salas de aula? Como tem sido a adaptação do ensino superior para essa realidade?

 

 Armando A. Júnior: Em tempos de IoT, robótica avançada, impressão em 3D, manufatura inteligente, big data, computação em nuvem, inteligência artificial e sistemas de simulação e de realidade aumentada, nós professores, precisamos desconstruir os métodos tradicionais de ensino e promover novas metodologias  e formas de ensinar.

 

Precisamos entender o momento, utilizar todas essas tecnologias e adaptá-las para transmitir o conhecimento de forma diferenciada. Ademais, é importante reconhecer que os nossos alunos já são alunos 4.0. Eles possuem um perfil completamente diferente do tempo em que éramos estudantes.

 

 

  • MBA em Indústria 4.0

 

Os professores e as estruturas educacionais possuem um grande desafio para acompanhar todas essas transformações. Ao longo de todas as demais revoluções industriais, a educação sempre se moldou aos novos contextos para formar profissionais, transmitindo, em cada tempo, os conhecimentos que contribuíram para atender as necessidades da indústria e da sociedade.

 

Em minhas aulas, já utilizo simuladores computacionais, jogos e metodologia baseada em problemas. A experiência vem sendo muito satisfatória. A docência exige que o docente esteja em constante transformação, isso é muito prazeroso e, ao mesmo tempo, desafiador.